9/29/2008

"Depois do ato do amor sobrevinha um pouco de ódio ao amigo, como se ele houvesse penetradomuito longe na sua intimidade, violando a liberdade feminina. Porque essa liberdade era o que mais importava - era a sua razão de viver. O que mais poderia significar a vida de uma jovem senão a repulsa de velhas e sórdidas ligações e sujeições?
Ora, por mais que filosofassem sobre o assunto, aquelas relações sexuais constituíam uma das mais antigas sujeições. Os poetas que a glorificavam eram homens - a mulher sempre percebeu que há coisas mais elevadas que o amor físico. E, por experiência própria, estavam agora as duas convencidas disso. A bela e pura liberdade de uma mulher valia muito mais que o amor sexual. Triste é o atraso dos homens nesse ponto. Eles insistem na cópula, como cães.
E a mulher tem de ceder, tão infaltilmente teimosos os homens se mostram. Ou a mulher cede ou eles passam a se comportar como crianças malcriadas, que estragam tudo com seus amuos. Mas a mulher pode ceder só na aparência, conservando-se livre e dona de si lá no seu íntimo. É este um ponto que os poetas e os sexólogos não levam em consideração. Uma mulher pode receber um homem sem se entregar a ele, ou sem cair em eu poder - antes utilizando-se do sexo para adquirir poder sobre ele. Durante a cópula, basta que se contenha, que o deixa chegar ao clímax sem que com ela aconteça o mesmo. Por outro lado, ela pode prolongar o coito e conseguir seu orgasmo sem que o homem seja outra coisa senão mero instrumento."

Trecho de 'O amante de Lady Chaterlley', livro muito bom que eu estou lendo agora.